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Hexacampeão na Disney, brasileiro disputa NYC Marathon pela 3ª vez

Da infância na caatinga à dura rotina de treinos em um dos maiores complexos esportivos do mundo, conheça a história do maratonista brasileiro Fredison Costa!

Um garoto sonhador. É assim que o brasileiro Fredison Costa se define desde os tempos de infância. Hoje com novas responsabilidades e ambições em apenas cinco anos de trajetória profissional, trabalha dia a dia para consolidar uma carreira de títulos como maratonista.

A ambição é grande para quem começou profissionalmente há pouco tempo. Hoje com 41 anos, Fredison não encontra limitações na idade e acumula troféus em diversas provas nos Estados Unidos: é seis vezes campeão da Walt Disney World Marathon e tricampeão em outras provas de rua como as meia-maratonas de Jacksonville e Mount Dora.

Entre lembranças e planos, a pouco mais de um mês da prova mais importante do ano, a NYC Marathon 2018, o atleta conversou com o blog da New Balance durante sua passagem pelo Brasil. A ideia, segundo ele, é aproveitar algumas provas no interior de São Paulo e chegar bem preparado para a maior corrida de rua do mundo.

Expectativas para a NYC Marathon

“Minhas expectativas são as melhores. Vou pra cima, quero estar no top 5 ou top 10 [entre os competidores brasileiros]. Não existe favorito, tem que estar bem preparado. É uma caixinha de surpresas: tudo pode acontecer. Se for o seu dia, já era”, comentou o maratonista, que vai para sua terceira participação em Nova York, prova co-patrocinada pela New Balance, que também o oferece suporte desde 2013.

“É uma maratona fantástica. É um sonho para qualquer atleta, qualquer corredor, participar de uma prova que tem visibilidade no mundo inteiro… Você vê senhoras de idade, famílias, crianças de meses ali às 5 da manhã já pela rua torcendo, vibrando, te dando comida, água, frutas”, conta o brasileiro que também já participou de maratonas em Buenos Aires, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Berlim, Roterdã, entre outras provas.

Foram os patrocinadores, entre eles a New Balance, que concederam à Fredison Costa a chance de alcançar o patamar profissional.  

“Quando a New Balance entrou na minha vida como patrocinador, em 2013, as coisas ficaram bem melhores para mim. Faz cinco anos que sou um profissional, não faz muito tempo, mas foi graças aos patrocinadores. Eles que fazem diferença na minha vida como atleta e como profissional. Sou muito grato a todo o time que cuida da gente”, conta.

Corpo e mente em sintonia

Depois da experiência na NYC Marathon do último ano, o brasileiro se prepara correndo, em média, de 180km a 220km nos seis dias da semana que realiza treinos. Além disso, alterna a rotina de corrida com musculação e, claro, o descanso.

“O grande segredo é o descanso. É preciso ter uma boa alimentação e descansar. Porque não adianta treinar como um leão e não descansar. Em 2017, o que aconteceu de diferente pra mim foi que corri os 5k no dia anterior à maratona. Estava muito frio em Nova York. Domingo fui correr e acredito que minhas pernas sentiram um pouco o cansaço”, relembra.

Para melhorar os resultados que fez em 2017, Fredison resolveu fazer algumas mudanças no calendário. Deixou de correr a maratona de Chicago neste ano para se preservar mais. “O maratonista faz um treino diferente dos atletas que correm outras modalidades. O atleta que corre distâncias menores tem que estar mais rápido. São provas menores, que exigem uma resposta rápida e não mais resistência”, explica.

Da Bahia à Nova York: passo a passo rumo à profissionalização

Sítio em que Fredison viveu a infância ao lado dos avós (Foto: divulgação / acervo pessoal)

Completando cinco anos de trajetória profissional em 2018, Fredison celebra a oportunidade de treinar em um dos maiores complexos esportivos da Flórida, o ESPN Disney Wide World of Sports Complex.

“Fui convidado a treinar no complexo da ESPN, o que pra mim é um privilégio. Trabalho com atletas olímpicos diariamente”, conta o brasileiro, que é assessorado por Brooks Johnson, eleito seis vezes o melhor treinador do mundo.

Mas o que o levou a se profissionalizar? Mais de dez anos depois de acumular os primeiros prêmios em virtude da corrida – uma cesta básica recebida em Piedade-SP -, Fredison disputou a primeira maratona em 2009, num circuito de 42km a partir de Bertioga, no litoral norte paulista.

A primeira experiência não poderia ter sido melhor: lugar mais alto do pódio com 20 minutos de diferença para o segundo colocado. A certeza de ter achado o caminho certo foi tamanha que, apenas 28 dias depois, Fredison já estava correndo outros 42 km – agora em Buenos Aires.

Fã de Vanderlei Cordeiro de Lima, entre outros nomes do esporte brasileiro, Fredison admite que hoje sua maior motivação é ser um exemplo.

Para os filhos, Júlia e Gustavo, que já seguem as passadas do pai, e para todos os fãs que acreditam no esporte como ferramenta de transformação social. “Eu tive milhões de motivos para parar e desistir, mas eu sempre persisti”, conta. “Essa magia do esporte é o que me motiva”.

Confira os melhores trechos da entrevista com Fredison Costa:

Conte-nos em detalhes a sua preparação para a NYC Marathon 2018.

“Minha preparação tem sido de bastante rodagem. Faço uma média de 180km a 220km por semana, treinando de segunda à sexta em dois períodos (manhã e tarde). De duas a três vezes na semana faço musculação. Domingo é descanso: 15km leve. Também procuro descansar o máximo que der, esse é o grande diferencial. A alimentação deve ser o mais saudável possível, pouco sódio. É ideal ingerir bons carboidratos, uma alimentação mais integral, com bastante verdura, legumes e frutas.”

“Às vezes é complicado estar treinando para correr a maratona e participar de provas mais curtas. Mas às vezes participo. Serve como um treino rápido. Quando estou precisando ficar mais rápido, voltar para um ritmo de competição, usamos provas de 5k ou 10k para estimular o corpo a trabalhar com mais velocidade. Varia muito do momento que você está no treinamento

Quais os aprendizados que você carrega para essa maratona de Nova York?

“O grande segredo é o descanso. É preciso ter uma boa alimentação e descansar. Porque não adianta treinar como um leão e não descansar. Se você não descansar, não há como ter um bom rendimento. O maratonista deve comer o suficiente porque o consumo calórico é muito grande. Como bastante batata doce e tapioca, além de muita água.”

“Em 2017, o que aconteceu de diferente pra mim foi que corri os 5k no dia anterior à maratona. Estava muito frio em Nova York. Domingo fui correr e acredito que minhas pernas sentiram um pouco o cansaço. Não me senti muito bem. Depois dos 13km senti a perna pesar um pouco, fui até o final pra completar a prova por honra. Na Maratona de Nova York não se pode dar ao luxo de parar no meio”.

O que o levou à profissionalização?

“Eu já era formado em Educação física quando disputei minha primeira maratona em 2009. Até então eu dava aulas como personal trainer e corria distâncias curtas como 5km e 10km. Mas naquela época tinha que trabalhar para aumentar a renda. Quando a New Balance entrou na minha vida como patrocinador, em 2013, as coisas ficaram bem melhores para mim.”

“Faz cinco anos que sou um profissional, não faz muito tempo, mas foi graças aos patrocinadores. Eles que fazem diferença na minha vida como atleta e como profissional. Sou muito grato a todo o time que cuida da gente. Trabalho duro para chegar ao pódio, estou com uma marca que está junto com o esporte, com o atleta, que busca sempre o melhor.”

O que o fato de morar no exterior facilita sua vida como atleta?

“Isso me ajuda. As oportunidades são maiores. O respeito ao atleta é bem diferente. É impressionante o quanto eles respeitam o atleta, como qualquer pessoa que faz a diferença. Isso me deixa muito feliz”.

Quais os planos para o próximo ano?

“Eu corro Nova York já de olho na Disney, que é em janeiro. Depois de Nova York, tenho três meias maratonas, incluindo a de Orlando. São cinco provas antes da maratona da Disney. O grande desafio é correr Berlim no ano que vem. Quero buscar provas mais rápidas para disputar uma vaga olímpica e correr em 2020 no Japão. O foco é correr provas rápidas para entrar na disputa pela vaga nos Jogos Olímpicos.”

Conte alguma experiência marcante nas provas ao longo da carreira

“Lembro que uma vez fui correr em Jacksonville (onde sou tricampeão), uma prova de 5k. Encontrei uma fã minha que tinha câncer, ela já estava sem cabelo. Ela viajou 80 milhas só pra me ver em uma prova de 5k. Quando cruzei a linha, ela estava com duas fotos minhas e pediu um autógrafo. Disse que o marido só não pôde vir porque teve de trabalhar. São momentos como esse que valem a pena, é até difícil descrever”.

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